Na avaliação dos especialistas, as campanhas de prevenção da aids e o aumento da educação sexual nas escolas desde os anos 1980 deram frutos mirrados. Segundo Carmita Abdo, 98% dos adolescentes conhecem anticoncepcionais e sabem que o preservativo é a única proteção contra o HIV. "Só que apenas de 35 a 40% usam camisinha em todas as relações. Eles evitam porque temem perder a ereção ou ejacular precocemente ao colocar o preservativo. E elas não exigem com medo de afastar o parceiro", diz a psiquiatra. A conclusão é que informação não basta. "Enquanto o professor fala de coisas biológicas, eles ficam desenhando corações no caderno. O desafio é dar significado para a proteção e o autocuidado, transformando em 'careta' a atitude de não se prevenir", ensina Albertina, que, com o Programa do Adolescente, vem obtendo resultados animadores em seu estado.
Segundo a Fundação Seade, entre 1998 e 2006, São Paulo teve queda de 32% na ocorrência de gravidez dos 10 aos 19 anos; redução de 34% da segunda gravidez na adolescência; e diminuição de 66% de novos casos de aids entre 15 e 19 anos. O segredo foi compreender que, mais do que tesão, o que motiva muitas dessas relações sexuais é insegurança e desejo de aprovação numa fase em que a insatisfação com o corpo, a incerteza sobre o futuro e as dificuldades no convívio com os pais alimentam a vulnerabilidade do jovem e afetam sua auto-estima. Albertina e seu grupo de trabalho acertaram ao incluir as emoções nas conversas sobre sexualidade e acolher até as dúvidas mais simples, como se ainda vai crescer ou por que está com espinha. "O adolescente precisa desenvolver a segurança para conseguir negociar na relação a dois sem medo de rejeição", conclui Albertina.
Não adianta ter conversas esporádicas nem vir com eufemismos. Segundo a médica, é preciso ser clara ao dizer o que é relação sexual e especificar que pode ser vaginal, oral ou anal. Outro ponto importante é demolir mitos que induzem os adolescentes a práticas de risco, como achar que ninguém engravida na primeira transa ou que basta ejacular fora para evitar a gravidez. Também cabe voltar sempre ao tema e estar atenta aos questionamentos – eles ouvem falar de tudo, mas estão longe de compreender plenamente as implicações e riscos. Sabem, por exemplo, o que é sexo oral, conhecem a "mecânica" da coisa e até podem trocar idéias sobre como apimentar a prática. No entanto, poucos entendem que é possível pegar aids e outras doenças por meio desse contato sexual.
Essa opinião é compartilhada pelo psicólogo Antonio Carlos Egypto, coordenador do Grupo de Trabalho e Pesquisa em Orientação Sexual (GTPOS), em São Paulo, e autor do livro SEXO, PRAZERES E RISCOS (SARAIVA). Um dos pioneiros na implantação de programas de educação sexual no Brasil, Egypto afirma que o jovem hoje recebe uma carga grande de imagens, textos e produtos relacionados à sexualidade, ao erotismo e à pornografia. "Só que essas coisas têm mais a ver com situações de consumo e se destinam a despertar a excitação. No outro extremo, estão as campanhas de prevenção. No meio de tudo isso está o jovem, incapaz de entender o que se passa com ele e com a sociedade. É aí que entram escola e família", diz ele.
No entanto, a experiência mostra que muitos pais não estão preparados para oferecer uma educação sexual para os filhos e se sentem bastante aliviados quando a escola decide assumir essa tarefa. “Mas apenas eles podem transmitir os valores da família. Esse é um limite que precisa ficar estabelecido desde o início”, pondera Regina Célia Tocci Di Giuseppe, diretora ético-religiosa do Colégio Santo Américo, em São Paulo, que há dez anos inclui o tema na sua grade curricular. Para a psicopedagoga Eleuza Guazzelli, da Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, a dificuldade familiar está ligada a informações inadequadas, constrangimentos e preconceitos: "A saída é aproximar os pais dos projetos e das ações que desenvolvemos para que aprendam e apóiem os filhos".
Fonte.:http://claudia.abril.com.br/materia/sexo-na-adolescencia
Fonte.:http://claudia.abril.com.br/materia/sexo-na-adolescencia
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